Que papel cabe à Universidade na promoção de uma economia mais social e solidária?

By | February 14, 2013

Esta foi a pergunta de partida para a elaboração de um projeto a apresentar ao programa Erasmus Mundus.

Este programa europeu contempla, na sua ação 3, a apresentação de projetos relacionados com a promoção do Ensino Superior Europeu.

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Equipa do Projeto

O projeto, que agora apresentamos,  tem como missão promover e influenciar a Universidade para o estudo, discência e reflexão sobre a diversidade de modelos e experiências que vão sendo captadas sob vários nomes, e que, à falta de melhor, podemos englobar num largo conceito de Economia Social e Solidária.

Desde a década de oitenta do passado século XX, situação dramatizada a partir do “rasganço” da cortina de ferro, a academia europeia tem centrado a sua pesquisa e docência numa economia inspirada na Escola de Chicago, cuja figura tutelar mais (re) conhecida é o economista Milton Friedman, autor de Free to Choose (1980) – em co-autoria com Rose Friedman- e de Capitalism and Freedom (1962).

Pensadores como Maynard Keynes e Karl Marx, entre outros, foram sendo relegados, quando muito, para disciplinas de história do pensamento económico. Mais importante ainda é o facto do pensamento e prática económica terem sido, ao longo do século XX, esmagadoramente centrados nos limites da intervenção do Estado e, por consequência, nos limites da liberdade de atuação do setor privado. Simplisticamente poderíamos dizer que a investigação em economia tem-se dedicado acima de tudo à existência ou não de uma “mão invisível” – “os mercados”- e à extensão do tecido socioeconómico que essa “mão” tutela.

Todas as outras formas de organização económica e social têm sido esquecidas pela academia, como, por exemplo, o movimento cooperativo, a economia familiar ou a economia popular – diversidade a que muitos chamam 3º sector mas que nós consideramos melhor “batizada” como setor da Economia Social e Solidária.

Formas de produção não capitalistas existentes em extensas zonas da América Latina e de África, nomeadamente, têm sido esquecidas por serem consideradas primitivas e não suportadas pela única forma de conhecimento hoje validado – o saber científico.

A academia europeia, na sua maioria, tem contribuído para a “invisibilização” de outros saberes e outras práticas sociais e económicas, contribuindo desta forma para tornar “ausentes” várias experiências económicas mais solidárias, que (re) inventam outras sociabilidades, enriquecendo o Mundo de experiências emergentes, ampliam o presente, conduzindo a um futuro onde há alternativas ao mainstream capitalista e neoliberal. Do mesmo modo, a globalização, como aplainar da diversidade, é um conceito que a academia europeia deve combater.

Em Portugal, apenas o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, liderado por Boaventura de Sousa Santos (a quem somos muito devedores nas ideias expressas neste post), a Universidade Católica Portuguesa, associada a este projeto através do seu núcleo regional do Porto e da equipa liderada por Américo Mendes, e o ISCTE, com o incentivo de Rogério Roque Amaro, apresentam consolidadas formações pós-graduadas na área (ou com inspiração) da Economia Social e Solidária.

Da Universidade espera-se que contribua para que “outras”  práticas e experiências sociais, económicas e educacionais sejam tornadas visíveis, de modo a aumentar o campo de análise das ciências sociais e humanas, promovendo uma democracia que ultrapasse os limites da mera formalidade (eleitoral, por exemplo).

A nossa candidatura foi uma das seis financiadas, para o triénio 2013-2015, escolhidas entre mais de 70 candidaturas. E pela primeira vez a temática da Economia Social e Solidária é financiada pelo Programa Erasmus Mundus, linha3.

As aspirações, objetivos, universidades envolvidas e outra informação sobre este novo projeto podem ser pesquisadas no site oficial do projeto:

Em Inglês http://www.yorksj.ac.uk/erasmus-mundus/social-economy.aspx

Em Castelhano http://www.yorksj.ac.uk/erasmus-mundus/social-economy/unsaac.aspx

Em Português http://www.yorksj.ac.uk/erasmus-mundus/social-economy/centro-de-estudos-africanos.aspx

Miguel Silva

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2 thoughts on “Que papel cabe à Universidade na promoção de uma economia mais social e solidária?

  1. Hugo Coelho

    Olá Miguel, tive conhecimento deste teu artigo no grupo do facebook da Conectar – entidade de apoio e fomento à ec. solidária.
    Queria dar-te a conhecer este grupo ( http://www.facebook.com/#!/groups/367668676644889/) e tb dar-te a conhecer que a Univ. Lusófona tb está muito pioneira nestes domínios, deixo-te aqui informação: http://www.facebook.com/groups/367668676644889/#!/photo.php?fbid=464008243652916&set=a.304184412968634.85796.286107341443008&type=1&theater
    Akele abraço e força na disseminação destes projectos na universidade e da economia solidária…. estamos juntos!!!
    Hugo

    1. miguel Post author

      Caro Hugo,

      Muito obrigado pelo teu comentário. Gostava muito que me enviasses um texto de apresentação da missão, objetivos e atividades da Associação António Sérgio para a Economia Social. Se aceitares o desafio eu publico aqui no nosso blogue.Abraço

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